25 Janeiro 2012

Resenha: 14 sai no haha, o drama de uma gravidez indesejável na adolescência


Imagem roubada de Oyasumi Dramas
É, um novo Subete vem surgindo, mas não se engane, já tivemos resenha de dorama por aqui por parte do Panina sobre o excelente Mother e isso não fica exclusivo ao Subete, no blog do parceiro Gyabbo tem resenhas de doramas e inclusive um belo post (intitulado “por que assisto novelas japonesas, mas não assisto brasileiras”) onde ele aponta as principais diferenças de uma novela japonesa para uma brasileira (e bote diferença nisso). Se não sabe do que se trata um dorama ou tem um preconceito sobre, visite este post do Gyabbo para abrir um pouco sua mente.

Prova de como novela brasileira é diferente da japonesa começa pelo tema adotado em doramas como visto em 14 sai no Haha (em uma tradução livre, “mãe aos 14 anos”) e bem, você já deve ter notado do que se trata esse dorama de apenas 11 episódios de 45 minutos cada, onde mostra todas as dificuldade de como é ser mãe aos 14 anos. Um roteiro bem linear que toca em temas muito delicados para uma menina nesta idade.

Já na metade do primeiro episódio Miki desconfia que está gravida após ter relações sexuais com seu amiguinho de cursinho. Tudo é tratado de forma bem inocente, apesar de não ser de fato. Depois disso Miki segue uma luta angustiante para enfrentar a família, a escola, os amigos, os vizinhos e todos os problemas que estão por vir. A cabeça de uma adolescente confusa, como o da Miki, é passada de forma bem realista levando em consideração os moldes japonês.

Para que o dorama possa seguir em frente em seu drama, tudo ao redor de Miki é desestruturado, desde sua família que tem que se adaptar e brigar para apoiar sua filha; o pai da criança que tem que lutar para esconder tal fato ou ainda a escola que tentar tomar uma decisões em frente a este caso não muito comum nesta idade. Tudo ao redor da Miki fica perturbado.

As dores que Miki sente na pele não fica restrito apenas as dores físicas como a barriga crescendo, ânsias de vomito ou todas as dores que uma mulher adulta também sofre, porém, com apenas 14 anos, Miki acaba sofrendo em dobro os problemas emocionais que envolve amizades, namoro e coisas mais psicológicas ou ainda sociais que envolve o seu sustendo futuramente; da responsabilidade de ter um filho antes da hora ou ainda o preconceito diante de uma sociedade tão rígida, principalmente no Japão onde a taxa de gravidez na adolescência é uma das menores do mundo perdendo apenas para as duas Coreias. O dorama explora tudo isso e muito mais.

A comparação de 14 sai no Haha com 1 litro de lágrimas (Ichi rittoru no namida, acredito que seja o dorama mais popular no ocidente) é inevitável, por mais que 14 sai no Haha não seja uma tragédia como este, 14 Sai no Haha possui a mesma estrutura de narração, primeiro temos a garota que se depara com um problema e que ao longo da história vai se acentuando enquanto ela e sua família, devem se adaptar as coisas ao redor que vai se modificando e, principalmente, lutar contra o tão falado preconceito, este preconceito que é tratado de forma exagerada inclusive, a menina parece que cometeu um pecada e merece ir para a cadeira elétrica só pelo fato de estar grávida aos 14 anos, ao contrário de 1 litro de lágrimas.


Porém, ao contrário de 1 litro de lágrimas, 14 sai no Haha não possui um roteiro tão excepcional tendo que fazer vários escolhas erradas para que o dorama siga um fluxo mais dramático, e  falha miseravelmente tentando criar um drama onde não há, fazendo personagens tomarem ações importantíssimas sendo que não faz sentido, mas eles devem tomar tais decisões para que 14 sai no Haha siga por um caminho mais tenebroso.

Colocando um exemplo em cima da mesa (spoiler leve do EP03 que só fica neste parágrafo) querendo fazer com que Miki siga um caminho mais árduo na vida, tentasse criar uma desculpa para que a personagem saia da escola e viva um drama de adolescente que não pode estudar. Solução? Os “amigos” de Miki pedem sua expulsão pois, com uma aluna grávida aos 14 anos, as amigas não querem passar a imagem de “garotas fáceis” para os alunos de outras escolas. Acham que conviver com Miki na sala de aula passaria uma imagem ruim para elas. Toda sala concorda. Alguém lembra de 1 litro de lágrimas? Eles poderiam fazer algo semelhante mas não fizeram, esperaram a hora mais critica e quando viram que Aya Kito estava realmente atrapalhando a turma, ela decidiu sair da escola de uma forma linda. 14 sai no haha não se esforça para isso, apenas “expulsa” a garota por um motivo besta. Sei que o sistema educativo do Japão é diferente do brasileiro, e imagino como deve ser rigido por lá, mas não a este ponto.

Problemas como este não ficam restrito apenas a este exemplo acima, em diversos momentos esse artificio é usado, seja para coisas de menor importância como coisas de maior importância. Foi como eu disse, tentar criar um drama onde de fato não há o que pode causar um efeito reverso, principalmente em um dorama que tenta seguir uma proposta mais próxima aos problemas reais.


Isso tudo é feito em pró para que a história nós leve a momentos chaves do que vem mais adiante. Diria que isso foi feito para que o dorama possa caminhar para um final onde a protagonista tenha sofrido muito, o final foi digno de um bom drama e conseguiu emocionar, mesmo com suas falhas, essas falhas que no final você vê sentido e aceita, mas para almejar algo ainda melhor em sua totalidade deveria-se ter pensado em um roteiro mais convincente em seu começo e meio.

Apesar disso, o dorama no geral não é forçado, nunca tenta-se a todo momento forçar a personagem a fazer o espectador chorar, ou ainda mostrar cenas de um modo mais impactante, muito comum em doramas, e isso foi ótimo em 14 sai no Haha pois ajudou a manter os pés no chão. Esse é um ponto fortíssimo do dorama, apesar de escolhas erradas os personagens reagem a grávidez da Mki de forma muito humana e natural.

Além disso, todos os atores são convincentes e muito reais, em momentos que são exigidas algumas cenas com carga mais dramática ou ainda alguma explosão, eles a executam muito bem. Posso destacar os pais da Miki que agem de forma sábia a gravidez da filha a protegendo e fazendo de tudo para que essa gravidez não acabe por machucá-la, por mais que pensem diferente dela fazem de tudo para seu bem. E agem bem. É magnifico ver a atuação desses dois personagens. Só um parênteses para o namorado da Miki: um personagem que era pra ser tão essencial na trama mas não convence com essa sua personalidade frouxa, e o ator é ruim pois o personagem ajuda. Único ponto negativo do elenco.
Recomendo 14 sai no Haha para quem procura por um bom drama e que atinge em cheio a família e mostre os problemas de uma gravidez na adolescência, por mais que tente exagerar em algo que não é tão anormal assim, os atores e personagens conseguem manter a obra com os pés no chão. Não chega a ser depressiva, está muito longe disso e nem é o foco, ele apenas mostra de maneira bem dramática como uma personagem com uma personalidade forte, como a Miki, reage a tal situação. E consegue.

3 comentários:

Panino Manino disse...

Foi esse papel que valeu para a Mirai Shida a oportunidade de ser a voz da Arriety do Ghibli.
Pena que recentemente ela tenha protagonizado aquele Himitsu, que estou ainda hoje traumatizado por aquele primeiro episódio - http://forum.subeteanimes.com/thread-37.html

14 Sai no Haha no geral é bom, bastante boa novela.
Não é nada brilhante, mas mostra claramente como um bom elenco pode fazer diferença. Você citou os pais da Miki, e ela própria se destaca muito. Muito simpática desde o primeiro episódio. Onde desagrada é nas escolhas do roteiro como disse, porque a atuação convence. Essas novelas com um elenco atuando de forma natural acabam se destacando.

Essa série gira em torna da honra na sociedade japonesa e aborto.
Sobre a honra, isso acaba prejudicando muito a série, principalmente para nós ocidentais. Em primeiro lugar, gravidez na adolescência nunca é desejável só que nós estamos muito acostumados com isso. É mais um daqueles momentos em que eu me lembro de estar na fila da xerox na escola e um grupinho de garotas atrás de mim comentando a gravidez da amiga e uma delas dizendo que também queria ou sonhava em ficar grávida também.

Você perguntou se uma gravidez daquelas poderia falir uma empresa.
Teoricamente não, mas é como foi mostrado na novela, aquela empresa da mãe da Miki era um negócio familiar que se sustentava na imagem da mãe dela. A mãe dela era um exemplo para a sociedade, daí o choque da gravidez da filha afetar tanta a imagem dela. Desfez a imagem de mulher exemplar ao falhar em criar a filha.
Isso se estende para a escola dela, aquele era um colégio de elite. Se uma aluna apronta uma, a culpa cai na escola que não educou direito.

Por mais que seja exagera, pela forma como os personagens reagem, os efeitos são entendidos pelo menos pelo público japonês.

As únicas falhas da série são duas:
O pai que é extremamente apático.
A Miki poderia ter estuprado ele e depois sumirem com ele da história que seria mais produtivo.
E a gravidez.
No fim, foi uma propagandinha anti-aborto. Tudo bem, ela tá grávida, o bebê está lá. Mesmo que seja comum, aceitável, o melhor para a vida dela, tenha todas as condições de abortar legalmente, e o bebe? Precisa mesmo matar ele?
A novela tocou pouco nisso. Não discutiu a questão. 
Tinha uma outra garota que abortou, e mal soubemos da história dela, quando aparecia ficava fechando a cara. Ela poderia ser usada para falar mais sobre aquilo e não foi aproveitado. Meio decepcionante.

Embora tudo isso sejam falhas pontuais.
Entre uma multidão de novelas falhas 14 sai no Haha se destaca, ainda mais que fogo do padrão de romance e final feliz na igreja.

Vinicius Botelho disse...

Eu realmente tentei pensar como um japonês entenderia essa situação da empresa e exemplos semelhantes, mas não consegui. Até escrevi que entendo essa diferença de cultura, realmente é gritante, os dados estão ai: no Japão a cada 1.000 mulheres gravidas, 4 tem entre 15~19 anos, no brasil é 74/1.000 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gravidez_na_adolesc%C3%AAncia absurda a diferença. Por isso tentei entendê-los e tentei pegar leve no review em relação a isso, mas teve vários exemplo desse exageros, vários, e não é possível que eu esteja tão engano em relação a isso. A mulher foi de um posto da mulher mais rica do dorama pra maior merda possível, até tem casos próximos de pessoas que foi pra merda mas que não foram tão profundamente assim, conseguiram respirar com alguma coisa, ela não. A empresa praticamente declarou falência, eu não entendo nada disso, mas tem que ter alguma coisa que a sustente um pouco/por algum tempo até ela voltar.
Agora, sério que você achou o pai apático? digo, até pode ser mas eu achei um personagem excelente. Você falou que a mãe é um exemplo de como a sociedade deve reagir, o pai é um exemplo de pai padrão que aos poucos vai entendendo a real situação em que a Miki se encontra e tenta entende-la um pouco. Eu gostei muito do personagem, ele é muito desesperado com essa situação toda e não consegue entender direito a Miki, mas ele aos poucos vai a apoiando e vai mudando bastante seus conceitos. E o ator, como disse, é muito, mais muito bom. Aquela cena quando ele recebe a noticia de que a Miki está grávida (1° imagem do post) é sensacional, ele caiu muito bem com o personagem.Eu não citei muito a atriz da Miki mesmo, mas agora comecei a ler alguns reviews e vejo que o pessoal realmente gostou dela, eu já não achei ela tudo isso. Nem a personagem (ao menos ela tem atitude e é forte, se não a história já tinha acabado) nem a atriz. Na verdade ela nem precisa fazer muito esforço pra mostrar bem de como é a personagem, a história guia a personagem muito bem sem precisar de uma excelente atriz.Esse caso da menina de cabelo curtinho eu fiquei muito puto,não citei no post pois ficaria muito restrito só pra quem viu, mas achei um absurdo essa colega dela que aparece desde o primeiro episódio criando um clima de "eu também fiz merda" e arrastou, e não parava de arrastar, nem lembro o que ela fez no final (só lembrei agora que você falou) já que não estava mais interessado, mas foi muito desnecessário essa personagem, só serviu pra mostrar um pouco do absurdo que as amigas da Miki estavam fazendo com ela. Aliás, nem explicou qual a relação dessa menina com a professora, tenho certeza que não explicou.

Panino Manino disse...

Uma coisa que escreve de escrever e lembrei agora sobre a Miki.Primeiro o pessoal que assiste gostar da Miki. Se tem algum motivo para isso, é pelo jeito dela, obviamente, mas principalmente por ser uma moleca em uma novela japonesa. É o mesmo caso da Chihaya de Chihayafuru o anime.  As mulheres nos animes, e também novelas, quando mundanas costumam ser tão mulheres japonesas que quando vemos uma mais descontraída acabamos reparando e gostando.

Isso leva ao seguinte ponto, será que é o mesmo caso da Chihaya que é criticada por ser do jeito dela?
Penso que essa novela só funciona por ser a Miki do jeito que ela é. Ela é a única garota da escola que foge daqueles padrões de comportamento certinhos, e a mãe do garoto não atoa pensa que ela tirou o filho do bom caminho.
Nessas situações sempre fico paranoico suspeitando de mensagens subliminares para as garotas serem mais mulheres japonesas recatadas.


E sobre o pai, desculpa se confundiu.
O pai que eu falei é o pai do filho da Miki, o garoto!

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