Olá, sou conhecido como Trucy por ai (ou Vinicius Botelho como você pode ver no marcador lá embaixo), escrevia no Yasumi no Cast mas agora apenas o novo redator do Subete Animes. Diria que nasci junto com o Shio e o Panina Manina em um fórum de jogos (em uma paste de animes) e por coincidência aqui estou eu sendo muito grato por escrever em um blog como o SA. Assim como outros redatores daqui, não levarei o “animes” do blog muito ao pé da letra fazendo postagens somente sobre isto. Meus gostos não me permite assistir mais do que 4~5 animes por temporada + 1 fora dela, meu tempo normalmente é bem dividido entre doramas, mangás, músicas entre outras coisas que pertence a esta bolha nerd, logo, não esperem postagens só de animes de minha parte. Antes de ser fã de anime sou um grande fã de jogos, não Visual Novel, falo mais de jogos ocidentais e alguns orientais, não sei se esse meu principal hobby pode ser encaixado aqui no Subete Animes mas já esperem por tentativas do mesmo.
Sem delongas, gostei do post do Noots e pensei que ao invés de uma apresentação padrão poderia fazer em conjunto um post que diz bastante do meu atual eu e que provavelmente deve refletir em minhas postagens no blog, o 2D. Claro que antes que você saia julgando (desde Trucy o poser/pseudo-otakinho-brasileiro até o otaku-hardcore) ainda sou detentor de dois olhos capazes de enxergar o mundo fora desse ambiente e ter uma vida social (nem tanto vai) aceitável que admiti que a carne humana feminina é a única que pode saciar minha fome (apesar de que um bom doujin durante 6 anos deve satisfazer a pessoa, e desculpe se fui grosso). Até por que todos nós sabemos daquela tipica frase do “não existe otaku no Brasil” existe um que se aproxima muito, o Zefiris, Kamisama, ou Orion, mas isso é outra história.
A ideia do post surgiu em uma conversa no tuito (meu twitter: @Trucyx) onde disseram que não há diferenças entre uma cantora real para uma virtual, além das obvias observações. Talvez não tão obvias penso eu, e por isso deste post: algumas coisas podem parecer básicas para min e para você mas para uma pessoa que não tenha tantos afetos com uma mera personagem, isso pode não ser tão explicito assim.
A primeira coisa que se passa na da cabeça de uma pessoa que louva com todas suas forças uma coisa que simplesmente não existe no mundo real é a perfeição. Quando falo de perfeição não estou me referindo simplesmente a beleza física, até por que isso é muito relativo, falo de outra perfeição.
Pense em uma cantora real qualquer que faz sucesso, seu jeito tímido e meigo transborda pela sua voz doce. Peguei como exemplo a Aya Hirano (dubladora de Suzumiya Haruhi (2006)). Do outro lado temos Hatsune Miku, a cantora virtual mais famosa da atualidade e que ilustra este post. Detalhe que quando falo em cantora virtual não pensem apenas no Giving Day (show por holograma) tente ampliar sua visão para doujins, figures ou ainda aquele .mp3.
Hatsune Miku só precisou de alguns rabiscos e uma voz, o resto são meramente coisas criadas por “qualquer” pessoa. Não há apenas uma empresa por trás da idol virtual, como bem lembra este comercial do google, qualquer pessoa pode criar qualquer coisa para a personagem, sua linha e história de vida começa dentro da empresa e termina no momento em que seu software é lançado para o mercado. O show, as figures, as músicas, tudo relacionado a personagem são criadas por diversas outras pessoas, fica a cargo do fã escolher em qual linha ele quer que sua personagem a qual ele louva cegamente siga. Confuso? Ficará claro em alguns parágrafos mais adiante.
Claro que a ideia de perfeito primeiro tem que passar pela fase física onde a personagem deve agradar aos olhos da pessoa. Você pode não achar a Miku atraente, você pode não gostar de seus cabelos longos, então ela não se torna a personagem perfeita para você pois esbarrou em um problema estético, mas para quem chega ao ponto de chamar a personagem de waifu (definição || Subete Animes || Elfen Lied Brasil) os outros pontos que a torna perfeita vem naturalmente. No post falarei mais da Hatsune Miku porém você pode pensar em sua waifu, o que é mais difícil pois há elementos neste post que só podem ser atribuídos a uma cantora virtual e a comparando com uma idol real. Se você não tem uma waifu ou alguma personagem que você trata como objeto de devoção, entenda que não falo de uma personagem especifica.
Aya Hirano (seiyuu famosa que deslanchou em 2006 ao dublar Haruhi em Suzumiya Haruhi no Yuutsu – 2006) sentiu na pele ano passado (2010) quando começou a rolar alguns boatos (e fotos) de que a dubladora e cantora mais querida dos otakus estava envolvida em vários relacionamentos com integrantes de sua banda. Isso para os fãs hardcore que tem uma vida amorosa –não reciproca- com Aya, o ato acaba por ser um tremendo choque. O resultado não foi diferente: essas pessoas se divorciaram de Aya pois não queriam que sua idol preferida trepace com outra pessoa, afinal, ela é a idol pura e inocente que o fã só quer pra ele, logo eles rasgaram seus pôsteres, quebraram seus CDs e a ameaçaram de morte. Como consequência disso seu fâ clube (Hirano Juku) acabou e ela foi expulsa da banda.
Aya logo estará novamente em atividade mas há casos de idols que depois de “escândalos”, como serem pegas fumando ou simplesmente namorando, não conseguem voltar a carreira pois os fãs não deixam sendo que elas foram feitas exclusivamente para agradar este tipo de fã. Um outro exemplo seria Erika Sawajiri, famosa pelos doramas 1 littoru no namida e Taiyou no uta no ápice de sua carreira como atriz deu a louca de começar a trocar de namorado a cada semana, ser grossa com a imprensa e a humilhar as pessoas dos bastidores de seus filmes/doramas a qual ela estava trabalhando na época. As pessoas no japão em geral começaram a odiá-la resultando em sua decadência como atriz.. Erika viajou, começou a fazer sua carreira no ocidente e só agora em 2011 está voltando para tentar algo novo no Japão. Erika não é uma idol mas é um exemplo diferente de quem é cercada por fãs.
Uma cantora virtual por sua vez não tem esses "defeitos" de um humano, ou uma idol real, é um ser perfeito como abri este post, por que você escolhe como ela vai ser e como ela vai agir. Como estava dizendo, a personagem é controlada até certo momento, no caso de Hatsune Miku, até lançarem o software o qual ela faz parte (para saber mais de como funciona o programa, clique aqui). Depois de lançado, a personagem chega ao fim de uma fase. O "fim" o qual me refiro é bem relativo pois a partir do lançamento de seu software várias raízes são criadas para que a pessoa que a louva escolha como vai louvá-la e por onde sua personagem deve seguir, seja através de uma figure, de uma música, ou através de um doujin.
Explicando melhor: Você quer que a Miku seja aquela princesa de um novo e lindo mundo? Ela será, ou você quer que ela seja aquela protagonista do melhor doujin da internet? E por que não aquela onde ela participa de um enorme bacanal dentro de uma fictícia gravadora? Melhor, aquele hentai 3D onde a própria está cercada de tentáculos. Você não deseja ver isso? Ahh não gosta disso? Simplesmente ignore, a regra é está.
É por isso que feiras como a Comiket, que já está em sua 81° edição faz tanto sucesso. Empresas não podem arriscar tanto em tentar vender determinados itens de suas série, não é uma jogada certeira, logo isso fica a cargo dos próprios fãs: criarem algo daquela personagem que agrade a um certo nicho de fãs. Como resultado, você tem uma variedade enorme de itens de uma mesma personagem para agradar os fãs necessitados, ou pelo menos o que ele mais querem que sua personagem preferida seja.
Minha visão é de uma Hatsune Miku generosa e carinhosa, aquela personagem que sempre estará ao seu lado cantando uma linda canção para uma noite cheia de amor. E é assim que eu a vejo. Não quero vê-la em um doujin segurando enormes pênis, logo eu simplesmente não vejo, não procuro por isto, pois a personagem que criei não é assim. Existem muitas músicas pesadas –no sentido de obscenas- em relação a Miku, posso pegar uma famosa aqui como a Romeo And Cinderella que trata de uma Miku que sai da cama de noite pra ir transar com seu Romeo. A música existe, é famosa e eu conheço a letra, mas pode-se ignorar este detalhe, como? Admitindo que a culpa por essa imagem da Miku foi de quem criou a letra e a pobre personagem não tem nada ver com isso, assim como um doujin H-mangá, ou uma figure defeituosa.
Com a Aya Hirano a coisa foi real, ela fez aquilo então ela se transformou por definitivo naquilo, não há um estado de negação de seus atos, não tem como o fã mais aloprado ignorar tal detalhe, a imagem existiu, caiu na internet e vai ficar lá eternamente, logo é criado uma faixa das pessoas que largaram a Aya Hirano e uma outra faixa das pessoas que não se importam com o escândalo, sendo assim, uma idol real é sujeito a “falhas”.
Fãs desse tipo de idol real existem e impedem que elas tenham uma vida normal, eles querem que elas vivam de acordo com suas expectativas, que cantem para sempre musicas amorosas e daquele jeito sexy. O que acontece muito é que idol real é obviamente um humano, e elas querem arrumar namorados e arrumam, como consequência os otakus ficam revoltados, quebrando e rasgando todo tipo de material da própria pois ela cometeu um erro e não pode voltar atrás. Não preciso explicar que o 2D é livre disso. Pode ate ser que a KyoAni (responsável por K-on, Haruhi, Kanon e diversos outros animes) lance de forma oficial um book com imagens ponográficas entre a Mio e o Goku, pode-se tornar uma book famoso mas o fã pode ignorar facilmente isto e continuar adorando sua inocente personagem, ele não irá ficar revoltado com a Mio. Há casos que sim, como no caso de Aya onde algumas pessoas rasgaram poster da Haruhi, mas é bem raro.
A pessoa pode fantasiar e admirar uma idol real de acordo com a visão que ele quer criar dela, setar sua idol para um caminho que ele deseja, mas isso é muito mais difícil de ser feito do que com uma personagem como a Hatsune Miku. Curiosamente, com uma personagem 2D de um anime, o processo também é complicado apesar de ter lá sua liberdade. Pegue Sora (Yousuga no Sora) como exemplo. A personagem em questão é de origem de uma Visual Novel e depois ganhou um anime. Sua personalidade já foi traçada, ela sente o mais puro amor pelo seu irmão e transa com ele nos momentos finais. Até a metade da série isso não era explicito, logo o otaku poderia sonhar com Sora, mas a partir do momento que ela se rende de vez para seu irmão, para alguns pode ter sido broxante vê-la com outro personagem, logo fica difícil direcionar uma personagem como está para outro lugar. Uma Miku que foi criada como uma personagem e uma personalidade quase vazia, essa dificuldade não existe pois você é quem cria e escolhe seu caminho.
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Um argumento relevante que se pode usar é de que uma cantora real ela simplesmente é “melhor” e perfeita, ao contrário da idol virtual, pois ela tem sentimentos e responde ao público, ela conversa com as pessoas, porém há controversas, o 2D pode tocar profundamente no coração de um otaku tornando-a mais interessante do que um normalfag imagina. Você sabe que ela não tem coração, mas quando submerso neste mundo perdido das profundezas do mal, você ignora os fatos, por isso “bolha”, você entra naquele mundinho de cabeça e sem pensar muito ignora tal detalhe. Pelo menos algumas letras da Miku tentam fazer com que o dito otaku venha para mais próxima da personagem e a ame, tenha sentimentos por ela e ela tenha sentimentos por ele, algo totalmente recíproco ao contrário de uma idol real. Veja a letra de Eletric Angel por YASUO:
“Eu gosto de cantar, não foi por isso que nasci? Dizendo que gosta de minha voz você me deixou muito feliz. Não entendo nada além dos binários zero e um mas você me ensinou o significado do “I” (Ai=Love), daquele dia em diante o vazio do meu coração está sempre preenchido com você enquanto eu puder estar com você mesmo meu coração digital começará a bater, quase como um vento de quantum, meu coração vai começar a pender”
Observe bem, não estou falando que cantores reais não fazem músicas amorosas e que não tentam prender a pessoa a sua “personagem” ali em cima do palco, mas quero dar atenção ao fato de que uma idol virtual, ou uma personagem 2D, tem sentimento na cabeça do otaku. Ela pode estar em forma de um dakimakura (travesseiro japonês de uma determinada personagem) ou presa dentro de uma tela de 20” mas a própria pessoa escolhe dar um pouco mais de sentimentos e um coração a ela utilizando apenas um pouco de informação que o otaku tem da personagem, seja informações estéticas ou não.
Letras como Eletric Angel tenta trazer a pessoa mais próximo de nossa diva. A música tenta transmitir que a personagem 2D tem sentimentos fazendo a pessoa esquecer de que se trata de um mero programa para computador, talvez a única coisa que a tornaria facilmente imperfeita. Ela até pode ter sido criada para ser um “robô” mas ela tem coração e quer que você a escute a cantar, que a ame. Veja que lindo quando se toca no fundo do coração de um otaku que em suas origens vive preso nessa bolha 2D onde pessoas reais pouco importa, ele só quer continuar vivendo para continuar amando tudo aquilo relacionado a essa bolha.
Mais interessante que isso é o fato dos otaku saberem que ela não é real, mas isso não impede de que o amor e a devoção aflore entre os dois. Até por que o 2D não briga com você, ele não lhe causa problemas, não pergunta por onde você esteve, apenas faz o que você quiser na hora que você quiser, e está ali pronta para isto. Exemplo disso seria de um otaku que trabalha (em alguns casos é comum) ela não exige que você esteja ao seu lado 24h mas estará ali pronta para dormir ao seu lado quando a hora chegar. Tudo muito lindo nesse mundo, né?
Tais sentimentos, forçados por pessoas reais, faz com que o otaku acabe se envolvendo de tal forma com a personagem que coisas como waifu são levadas estritamente a linha. Seus objetos de adoração, como suas figures, já não são tratados como meras bonequinhas vazias por dentro, ela é tratada não como se fosse uma pessoa real mas sim como uma pessoa real é tratada podendo-a deixar de lado quando quiser e admirar outra personagens ao mesmo tempo, e o melhor do bolo, o otaku está disposto a imaginar e pensar no que sua personagem 2D sente ou pensa, assim como um relacionamento humano, ou seja, nada de mostrar o dedo do meio para ela pois a mesma pode ficar triste.
O que não é tão comum visto que, normalmente um otaku não está se importando com sua aparência já que a personagem 2D em questão não se importa com isso, você nunca verá uma personagem dizendo qual homem prefere, ou como ele deve ser fisicamente, elas foram criadas para atingir o maior publico possível e amar seus mestres independente de como ele for, independente do que ele faz em vida, ela só quer alguém parar brincar, amar e passar seu tempo. Lembro disso vagamente em Densha Otoko (dorama de 2004) onde em uma situação a personagem começa a se arrumar para ficar bonito diante de uma figure. Lindo, né?
Leitura complementar


26 comentários:
Bem que podia avisar que está citando o Oryon/Zefiris.
Avisando também que o Trucy é meu waifu e a partir de agora o Subete é meu Harém pessoal.
Esse é um local de amor, sem preconceitos.
Bem vindo mestre Trucy, seu texto me lembrou muito os monólogos de Keima em "The world olny god knowns" o que em minha humilde opinião é um grande elogio.
A verdade é que para deixar esse artigo realmente completo, deveríamos adentrar e estudar o que suporta e faz o papel de base para esse tipo de produto de entretenimento de gosto duvidoso: o otaku. Todos deram pitadas do que é o otaku e pq ele é assim, "doente". Mas isso é um problema muito maior, até social eu diria (para o Japão principalmente). Deveríamos dizer o pq de haver tantos otakus e a razão desse número aumentar cada vez mais. Sem falar no serial killer Miyazaki que começou com esse papo de doença e seu parente mais extremo: o hikkikomori. Eu vejo que sim, existem otakus doentes, mas no geral, são meras pessoas alienadas sem consciência do seu estado. Como sempre, o problema é bem maior do que os olhos preguiçosos alcançam.
Mesmo assim, gostei do texto pela iniciativa de tocar no assunto. Ah, e industria de idols realmente fede.
Acredito que Otaku seja um produto, não uma causa e resultado em si.
Pessoas tem baixa auto estima, se deprimem, enlouquecem, se retiram da sociedade e se matam em qualquer lugar do mundo. Todas essas pessoas são vulneráveis a seu modo, e em qualquer lugar que se vá haverá aproveitadores. Esse aproveitador pode ser um vendedor de drogas, alguém de uma seita ou no caso do Japão a indústria do entretenimento.
A "doença" que eles tem é separada de serem otaku, não são só uma coisa, tanto é que dizem por aqui que lá otaku não é só de anime, é apenas o mais famoso.
Pra mim otaku, o de lá, é alguém que tem problemas e é refém de animes, mangás e idols.
Olha, isso que você falou tem muito de verdade. A gente sempre brinca com a imagem dos otakus, fala mal deles, mas nunca pensamos que o fato deles serem assim é resultado do próprio ambiente em que viveram (é viveram mesmo, pois a maioria dos otakus de verdade não vivem mais numa sociedade). Podemos usar a velha frase de que eles precisam superar tudo isso e seguir em frente, e nem tiro a razão disso.
Sou do tipo que não gosta de ficar preso e pensando num fracasso passado, mas estamos falando do Japão. Não fui criado numa família tradicional japonesa, embora seja descendente, então não conheço muito dos pesos e obrigações que um japonês de lá tem (e as famílias mais tradicionais trouxeram para o Brasil no começo da imigração, mas hoje isso é bem fraco). O peso do fracasso lá, para um japonês não significa ligar o "foda-se" e "vamos em frente". E as vezes não é nem por perplexidade e frescura do próprio japonês, mas pela desaprovação geral do grupo e da sociedade (numa sociedade pautada no grupo, a sua opinião quase nunca importa, e isso explica muitas coisas, até mesmo a ausência de blogs e sites japoneses de animes com o teor opinativo e crítico que temos por aqui. Daquele tipo feito para trollar e gerar discussões acaloradas. Não que isso não exista na internet japonesa, mas é em escala muito menor do que aqui).
Seria bom do nosso ponto de vista que o Japão abraçasse a bandeira ocidental e se tornasse como nós. Isso certamente reduziria o número de otaku e hikikomoris, já que a maioria deles surge por causa do fracasso, humilhação ou problemas de convívio social, e não deixa de ser verdade que a sociedade ocidental é mais convidativa e aceita melhor o fracasso. Por outro lado, colocaríamos o Japão frente a outros problemas comuns as nações ocidentais, o que na verdade só joga o problema para outra esfera (a única coisa boa é que você deixaria de ver otakus e veria outro grupo social problemático).
Se olhar para os animes feitos para os otakus, não temos só a questão da idealização de personagens e personalidades vazias, mas a ausência de regra e rigidez nos universos na qual as histórias se passam, com histórias sobre o nada. Isso é tudo que o otaku gostaria da sociedade, uma sociedade menos rígida e menos apegada aos rituais sociais. As vezes também nos perguntamos os motivos que levam alguns brasileiros ou estrangeiros a gostarem de animes de otaku (e mesmo aqueles que não são), e, querendo ou não, a maioria da motivação desse grupo é o sentimento de pertencer e gostar de algo diferente da sua sociedade, então você tem no otaku ocidental, elementos do próprio otaku japonês.
No ocidente se pune menos o diferente, e até por isso o otaku aqui tem uma auto-estima melhor, mas não deixa de ser verdade, que no fundo a sua adoração pelo diferente está no fato de que, tanto aqui, quanto no Japão o velho conceito de sociedade já tem sido colocado em xeque de determinadas formas, e não precisa olhar só para a esfera dos animes e mangás, embora o otaku japonês, seja o maior símbolo de alguém que odeia a sociedade moderna da maneira como conhecemos (claro, dentro das peculiaridades da sociedade japonesa, mas algo possível de enxergar minimamente em toda sociedade mundial).
Pelo jeito cheguei tarde na festa...
Incrível é ver Rapier comentando num blog...
Oq vcs vão fazer com Yasumi no cast?
De toda forma, parabéns....
Como de costume vou deixar convite de ser moderador no fórum. Se bem que se aceitar pedirei para ser mais ativo por lá.
tt
Inisishima, concordo com o que você disse. A questão otaku é muito mais ampla do que aparenta. E sim, otakus e hikikomoris geralmente existem pela pesada pressão que a sociedade japonesa exerce, esperando sempre um sucesso sem erros. Isso é dês da escola até o trabalho e casamento, aquilo que pode ser batizado do já bordão clichê "honra japonesa". Aí também entra a grande taxa de suicídios e desistências em escolas públicas na fase da pré-adolescência ou adolescência japonesa. Nossa, se formos realmente começar uma conversa sobre otakus não haverá fim! Só digo que realmente os otakus estão crescendo e nada do que ultimamente está acontecendo com o Japão está ajudando (tsunamis, terremotos, crises financeiras).
Panino, eu ainda acredito que esse tipo de entretenimento ainda existe pelos otakus (lembrando que eu digo dos otakus japoneses). Eles são os principais responsáveis, meio que embaixadores no meio da população que consome tal produto. Veja bem, quando uma idol está despontando as pessoas comuns vão e começam a consumir materiais referidos pq ela está na moda, já o otaku é fã de carteirinha, não importando sua popularidade, ele sempre vai estar lá. É igual aos animes moe que passam de madrugada, não tm ibope nenhum, mas quem assiste e compra ferozmente os produtos relacionados depois? Sem falar que otaku não é um nome novo. Resumindo: o mercado de moe, idols, doujinshis, games, esses nichos são assim pelos otakus, sem eles nada disso existiria. Digo no modo como eles são caracterizados e não a industria em si.
Inisishima, concordo. Como você disse, existem otakus pela pressão pesada que a sociedade japonesa exerce, cobra um sucesso sem erros. Seja isso dês da escola, trabalho e até casamento. O jeito que encontram quando não correspondem com tais expectativas é fugir, mesmo que seja mentalmente. Por sermos mais sensíveis e confusos na pré-adolescência ou adolescência, é nessa época que a forma de vida otaku é mais abraçada. Ainda tem as desistências escolares e suicídios entre os jovens que não vêm o modo otaku ou hikikomori de ser como uma possibilidade. Tudo é muito complexo e, infelizmente, não vejo esperança quando se olha para o estado atual do Japão, depois de de tsunamis, terremotos e crises financeiras(fazendo até ser passado pela poderosa china).
e bem vindo, com estilo heim botelho. foi muito bom abordar esse assunto.
vejo as cantoras 2d as vezes como uma porta pra algumas pessoas quem quer se expressar as vezes, ja que nem todo mundo canta, mas muita gente tem um dom pra escrever boas musicas.
As duas, idol real e idol digital, são a "mesma" coisa, claro, tem suas diferenças, concordo com varias coisa que você disse, como, qualquer coisa dá Miku pelo mundo, não vai te afetar, já quando acontece com a idol, realmente aconteceu.
Mas eu vejo um certo problema ai, saindo um pouco da Miku é indo para uma waifu, Kannagi, e o quando foi dito no manga, fonte original da "vida" dela, que ela não era virgem, os fans ficaram loucos, como ficariam se fosse com a sua idol, e ai está a responta, algo ser canônico, na vida tudo acaba sendo canônico, então tudo o que acontecer vai ter algum importância, seja ela positiva ou negativa, já em casos como a Miku, que não tem uma "linha canônica", esse efeito seria diferente ou insistente, mas com qualquer personagem que tenha uma, as coisas podem afetar tanto quanto um acontecimento real.
Virgindade eterna do Otaku é Canônica?
Eu até lembrei desse caso em relação a Kannagi só que não lembrava do nome do mangá então não coloquei no post, mas isso tem bastante sentido mesmo, tem muita coisa que os autores fazem com algumas personagens que você começa a pegar ódio por ela, normal e é um fatão.
Vlw Shio xD
O Yasumi não é bem "vocês". Daph está desde o começo lá e ele pretende seguir em frente, ele ainda tem alguns bons planos pro blog.
Daora o comentário, deveria ter lido tudo, repetiu algumas palavras do post lol acho que faltaria mais falar do inferno que é a vida das idols mas ficaria muito grande por isso apenas deixei um link no final do post.
Bem por ai mesmo, se não leu recomendo esse post do Otakismo que complementa e muito essa postagem,
http://otakismo.blogspot.com/2011/06/homo-virtuens-o-surgimento-do-fenomeno.html
Vlw, e no final acabou sendo apenas um monologo mesmo, rs. Preciso ver urgentemente The world only god Knows, não aguento mais ver o pessoal falando disso sempre que começam a discutir esse tipo de coisa.
Depois eu li, e fiz poker face para aquela frase final.
É por isso que acham o fandom de VOCALOID tudo um bando de doido. Ainda bem que os compositores que trabalham com o programa estão tentando fujir dessa imagem (que pega muito mal) fugindo do publico otaku hardcore (coisas que refletem isso, é o movimento contrário as letras com temas moe, ou seja, composições realmente trágicas ou até perturbadoras). A webmaster da Vocaloid Brasil por exemplo, nem é otaku/otome. Porem, duvido q essa "fama" ira sumir totalmente, afinal, o programa VOCALOID foi popularizado entre os otakus.
Aqui alguns exemplos de musica do "desconstrucionismo moe":
http://www.youtube.com/watch?v=F0wlWAn79JQ (escutem até o final, pegou exatamente o tema das idols)
http://www.youtube.com/watch?v=2ghk1O6IktQ (da mesma compositora da musica acima)
http://www.youtube.com/watch?v=zRUc0P_j-Bo (melhor citar também)
Inclusive é só lembrar daquela matéria do fantástico, quantas pessoas depois de ver aquilo não foi no google procurar sobre? e acredito que seja algo bem aceito por pessoas "normais", podem não gostar da música, até por se japonesa, mas creio que muitos acabam gostando, até por que não é desenho de menininha, é apenas uma menina bonitinha cantando algo agradável.
Alias, HOJE EU NÃO DURMO, sério, gostei muito dessas músicas, principalmente a primeira.
Vamos ver se agora vai... xD
Trucy, achei que o texto ficou genial! Representa bem o que significa uma idol e, além disso, conseguiu mostrar ainda melhor a maneira que os fãs basicamente as veem (bom, não só as idols como os idols também).
Sou um wota há um bom tempo, faz uns 4 anos que diariamente entro em sites e fóruns pra saber novidades do Hello! Project, acompanho a carreira das minhas idols favoritas bem de perto, sei muito sobre a personalidade de cada uma, sei o nome de todas as integrantes e pelo menos algo sobre elas. Gosto da família 48 também, mas não conseguiu me atrair tanto quanto o H!P.
O meu problema com o universo idol é justamente a maneira com a qual a maioria dos fãs idolatram as meninas. Essas idols não podem fazer nada que saia da linha de boa menina, não podem namorar, beber, entre outras coisas. Eu particularmente não me importo com isso, minhas idols favoritas poderiam declarar que adoram um bdsm, que são bissexuais, ou qualquer outra coisa que diga respeito apenas a vida particular delas, que eu não me importaria. Gosto de vê-las cantando, dançando, dando entrevistas, no backstage, sendo engraçadas, contando piadas e evoluindo dentro da carreira artística. O que elas fazem fora não me importa, porque não é isso que eu busco em uma idol, vejo as meninas mais como artistas e gosto delas como artistas. Sei que a maioria dos wotas japoneses não são assim (vejo muita gente que pensa igual a mim nos fóruns ocidentais) e isso não é exatamente o que eles buscam... E como são eles que basicamente sustentam esse mercado que eu tanto gosto, posso reclamar até certo ponto deles.
É aí que acho que as idols 2D são interessantes. E o texto explorou muito bem esse ponto. Idolatrar essas idols não causa decepção, pois elas são exatamente como o fã quer que elas sejam. A Hirano é um exemplo de decepção mesmo, eu lembro que morri de rir da atitude dos "fãs" (entre aspas mesmo, porque se eles gostassem mesmo dela, não agiriam daquele jeito), mas acho que, ao mesmo tempo que a carreira dela pode ter sofrido um baque, ela conseguiu quebrar o estereótipo de idol que havia ao redor dela, e que obviamente é um estilo de vida que ela não queria seguir. Decepção é algo muito ruim, e uma idol 2D seria perfeita para essas pessoas que quebraram cds e colocaram fogo em seus pertences da Hirano. Ela tem mesmo é que buscar um outro tipo de público que não se importe com a vida pessoal dela. Já a Sawajiri é um caso a parte mesmo, ela é lindíssima e muito talentosa, mas o sucesso foi pra cabeça e deixou a coitada louca...
Por mais que o universo idol possa ser cruel aos olhos de muitos, é válido lembrar que ele guarda o sonho de muitas garotas. Muitas querem ser famosas, mas não têm boas habilidades para chegarem a ser grandes cantoras ou atrizes bem sucedidas. Só que no universo das idols, o objetivo é justamente esse... Elas não precisam ser talentosas, só devem ser bonitas (e, sinceramente, em alguns casos nem disso precisa) e dedicadas para sempre melhorarem. É tão comum no H!P entrarem algumas meninas sem talento algum e depois de alguns anos elas conseguem dominar o palco como ninguém. Elas conseguem realizar o sonho de cantar, dançar, atuar, etc sem precisarem de um talento prévio pra isso. E quando elas entram nesse universo, elas sabem o que devem abdicar... Tanto que muitas saem depois de algum tempo por almejarem uma vida normal, quererem frequentar uma universidade, se formarem em algo, ou seja, viver uma vida mais comum. Já outras graduam e buscam avançar ainda mais no showbiz.
Vixe, acho que falei demais... Enfim, acho que é isso que eu tinha pra adicionar a respeito do assunto :P
Nossa, valeu pelo comentário gostei muito.
Não sabia que existia um termo para definir os fãs (wota) de idols. Também gostei do que você falou das idols não terem talento algum. Estava lembrando esses dais quando comecei a virar fã das Perfume. Na época eu estava meio confuso do por que eu gostava tanto delas e estava ficando cada vez mais fascinado por elas, a última vez que fiquei assim foi a tipo, 8~10 atrás quando conheci o Ozzy e hoje digo que nunca gostei tanto de um grupo assim. O Ozzy eu realmente gostava por causa de suas músicas e por que ele era foda, só isso. Com as Perfume, como eu disse, estava confuso e dava a resposta padrão de "a música é ótima, simplesmente isso" até o dia em que vi o Kusanagi (citando pela segunda vez aqui lol inclusive, foi ele que me apresentou elas, e breve deve fazer um ano desde então, bjs) comentando no twitter de uma imagem delas, que destacava bem suas pernas, algo como "Pernas, só vejo isso".
O Leo sempre foi/inda é, uma pessoa que sempre vou ouvir o que tem a dizer sobre alguma coisa relacionado a música pois sempre acabo gostando não só de algo que ele recomende como também dos comentários dele sobre alguma coisa, principalmente por eu não entender quase nada do cenário músical japonês. Eu vendo ele comentar disso pensei "qual o problema de admitir que você gosta TANTO delas simplesmente por que elas são lindas e carismáticas e não apenas pelo música"?
É só um relato aleatório mas que você tocou nisso e não pude deixar de comentar. Claro que existe aqueles que gostam delas apenas pela música, mas não vejo problemas em ouvir algo pelo "motivo errado" até por que isso tudo é puro entretenimento. Com relação a elas demorei pra entender, mas já via isso muito em animes, por que diabos você TEM que assistir só animes bons que tem algo a adicionar a sua vida, tem que ter uma história boa, ou um char legal e etc e não pode ver algo como K-ON, ou Aria pra passar o tempo, ou vez ou outra aqueles ecchis ruins e chatos só pra ver os peitos das personagens de fora? acho muito errado ter que seguir este padrão de "sou melhor que você pois ouço beethoven que... que... e... e também só assisto animes inteligentes por que por... que..." ahhh vsf.
Esse negócio que você falou da Aya foi bem interessante, acho que se eu tivesse pensando nisso antes poderia colocar em um paragrafo no post dessa imagem que ela "quis" quebrar e se livrar. Aya conseguiu voltar por que ela é realmente boa no que faz, e talvez por já ter ali seu lugar guardadinho só lhe esperando. O pessoal pode não gostar dela como cantora mas como dubladora ninguém supera #flamer.
Saindo um pouco desse universo das idols (pois você e o Panina já falaram muito, apesar de este ser o assunto do post) eu acho interessante muitas divas não sofrerem disso como por exemplo a Koda Kumi ou a Ayumi. Claro, é outro tipo de fã, na verdade as duas exploram bem todo o japão não se prendendo a um nicho, mas, pelo menos essa é a imagem que tenho em minha cabeça. Pegue a Nana Mizuki como exemplo e amanhã sai uma noticia de que ela irá casar, acho que ela não sofreria tanto quanto uma idol padrão sofreria, que nem uma Aya sofreria, pois em minha cabeça ela meio que fez essa imagem de que um dia ela pode se casar e os fãs tem que entender isso e vão entender.
Na verdade acho que não sei o conceito real de uma idol, sei que AKB e H!P pode ser considerado o principal exemplo de uma, mas também vejo que muitos consideram uma Ai Otsuka uma idol, e não apenas uma cantora de sucesso. Então seria algo mais como "um outro tipo de idol", né?
Muito bom relato.
Quando há problema é sempre com o fã enlouquecido que ultrapassa limites.
Bom ver a forma como você comentou, essa forma de levar na "esportiva".
Por acaso já assistiu o anime Idolm@aster? Desse ano passado? Estou preparando para assistir ele, e acho que chegou a hora de colocar ele como prioridade.
Sabe que eu pensei a mesma coisa quando li o texto? " Ué? O Katsuragi é o novo resenhista da Subete" ?
Gostei do texto! Tá de parabéns e bem-vindo! A vida de cantora no Japão é um inferno vira um inferno se se fizer sucesso entre os otakus (que não são como os daqui, lá o caso é sinistro).
Nao li completamente isto, mas só a parte da aya hirano me fez desistir de ler texto tendencioso escrito a la sankaku complex.
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