16 Dezembro 2011

Tezuka Day - "Astro Boy, o estudo de um fóssil"


Quando o Gyabbo começou a comunicar o Tezuka Day e sua proposta, eu logo pensei se poderia participar, já que de fato não havia lido nenhuma história do Tezuka até então e sabia da dificuldade que seria para conseguir material dele por aqui além de quê, com uma obra tão extensa, qual eu escolheria? Por isso, por estar lá na hora em que ele fez a chamada para escolhermos sobre o que falaríamos eu fui rápido e gritei logo, "Astro Boy!".

O motivo de eu ter escolhido justamente obra tão importante do autor, e sua mais famosa obra no ocidente, foi por pura conveniência. Eu nunca havia lido Astro Boy, apenas assistido alguns episódios pingados no Youtube. Eu escolhi falar de Astro Boy porque já havia lido Pluto do Naoki Usarawa e queria falar desta obra.

Astro Boy tem um valor e importância incomensuráveis para os animes e mangás japoneses, mas dada a sua idade ainda faz sentido lê-lo hoje em dia além da mera curiosidade histórica? Depois de ter tido acesso a todas as obras posteriores que foram influênciadas por ele e pelo legado do Tezuka, não apenas reaproveitando temas e conceitos, mas evoluindo-os como no caso do Urasawa? Essa era uma questão que eu não tinha resposta naquele momento, e agora por meio desse texto especial lhes digo o que eu descobri.

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Como sempre há aqueles desinformados, e informar ser justamente o objetivo deste evento, em primeiro lugar devo lembrar que Astro Boy foi a primeiro anime feito para a TV em um formato semanal, que além do pioneirismo estabeleceu os padrões usados até hoje na animação japonesa. Vem dele o formato de 22 minutos por episódio, um episódio por semana e vários padrões de animação. Para você que sabe apenas que é uma série muito antiga, já com seus 60 anos de idade, pode imaginar que a animação dele é bem pobre tendo em vista como comparação muitos animes de animação pobre que são feitos hoje em dia, mas isso não é tão verdade. Qualidade de animação é relativa aqui, e a qualidade da animação de Astro Boy é relativamente alta na minha opinião.

Eu não vou falar muito mais além disso sobre toda a história que envolve a série original de Astro Boy, deixo isso para outros, como muitos já fizeram. Se você quiser saber mais sobre esse momento histórico eu recomendo ler outras postagens de blogs e sites vizinhos, como os podcasts do Jcast e Jwave.
Aqui eu vou me limitar a falar de uma história em especial de Astro Boy, talvez a sua mais famosa, chamada de "O Maior Robô do Mundo".




Essa história foi ao ar pela primeira vez na TV em 1963, sendo posteriormente colocada no papel no mangá de Astro Boy desenhado pelo Tezuka no ano seguinte. É uma história clássica do herói que enfrenta o vilão que não é tão vilão assim e foi uma das histórias mais populares da série entre os japoneses naquela época, sendo hoje a história mais famosa da série, a que ganhou mais versões ao longo dos anos.
Em O Maior Robô do Mundo, Pluto, um robô muito poderoso feito especialmente para ser o mais forte de todos, a pedido de um Sultão deposto, por vingança e vaidade, é enviado para destruir os 7 mais fortes robôs do mundo, e entre eles está naturalmente o Astro Boy.


Após atingir o máximo de sua popularidade, com mundo e vários personagens estabelecidos, Pluto, um robô vindo do nada, nas próprias palavas do Tezuka, "sem hesitação, dúvidas, vergonha ou ressentimento", simplesmente aparece e começa a destruir esse mundo recém criado. Um a um os 7 maiores robôs vão sendo destruídos enquanto o mundo assiste a chacina pasmo sem saber quem seria o autor de tal crime hediondo, até que ao chegar em Astro Pluto é impedido de destruí-lo por simples ordem do pai adotivo do Astro. Ele proíbe Astro Boy de lutar contra Pluto.

Não é apenas o desejo de vingança do Sultão que move o Pluto, é também sua vaidade de mostrar quem é o mais forte, e para demonstrar isso Pluto não deve apenas destruir os robôs, ele deve derrotá-los em uma luta justa. Não faz sentido apenas destruir Astro se ele não reagir.

O conflito moral de O Maior Robô do Mundo gira em torno do Pluto sendo o que fizeram dele, o mais forte, e o desejo do Astro de ser o mais forte.

Astro é o herói e se considera como tal, por esse motivo ele fica atormentado com a proibição de seu pai de fazer o que acha ser o certo e inevitável, e pior, Pluto se mostra um robô mais forte do que ele, o que é um choque para o até então todo poderoso Astro.


A sensação ao se ler O Maior Robô do Mundo é de ela poderia ser uma história melhor.
O Maior Robô do Mundo é uma boa história, um bom mangá, mas para o leitor de hoje parece simples e ingênua, e de fato é. E sobretudo, infantil.
Não entenda isso como uma crítica negativa, estou apenas colocando em perspectiva. Astro Boy é um anime/mangá antigo, e deve ser encarado como ele é. Ele é bom dentro dos limites que a época, talento e competência do Tezuka permitiram a ele ser. Ele poderia ser melhor, mas não naquela época.
Na verdade, O Maior Robô do Mundo foi feito melhor, décadas depois.



Naoki Urasawa é hoje um prestigiado mangaká.
E ele não chegou a essa posição de prestígio da noite para o dia, não sem muito esforço.
Desde o início de carreira nos anos 1980 com um oneshot, assim como todos ele teve que dar muito duro, até ter sua série regular Yawara! sobre uma judoca com a qual ele alcançou o sucesso e popularidade. Como é comum nesse meio esse sucesso perigou se torna uma sina, com seus fãs criando uma expectativa incompatível com o que ele tinha em mente sobre afiar suas habilidades narrativas. Chegou um momento em que ele quase desistiu da carreira por causa da recepção dos fãs, mas felizmente, ele continuou criando as histórias que queria do jeito que ele queria.
Hoje o Naoki Urasawa é considerado um mestre dos mangás de suspense policial, e também um dos melhores em desenhar expressões e emoções.

Em 2004, já consagrado depois dos sucessos de Monster e 20th Century Boys, ele iniciou um projeto ambicioso. Ao invés de criar uma história original, ele refez uma história clássica de um outro gênio, tido como a maior lenda dos mangás. Naoki Urasawa nos deu sua interpretação de "O Maior Robô do Mundo" de Astro Boy, de Osamu Tesuka.
Por mais genial, inovador e importante que tenha sido o Osamu Tesuka, Pluto do Naoki Urasawa mostra de forma brutal que o tempo passa até para os deuses.

Não é coincidência que o Urasawa se considere amado pelo deus do mangá, e seria esse deus o Tesuka?


Em Pluto o Urasawa pegou o mundo de Astro Boy e o tornou mais credível como exige nosso senso crítico de hoje.
Algo que se pode notar nas obras mais antigas do Tezuka - e provavelmente esse é um detalhe comum às obras da época - é que ele não parece ter muita noção do tempo. O tempo nos mangás do Tezuka é bem confuso e até incoerente. É um daqueles detalhes que são "apenas" detalhes. Se não é tão importante para a história funcionar, ignoramos, é o que parece.

Mesmo também tendo suas falhas, Pluto é maravilhoso no que se propõe tendo mais de um momento genial. Como citado, o Urasawa tinha vontade de afiar suas qualidades e assim o fez durante duas décadas. Ele domina a narrativa e a arte. Elas realmente se complementam em suas obras e isso salta a vista de forma impressionante em Pluto. Mesmo sendo protagonizada por robôs conseguimos sentir todo o peso dos sentimentos deles sendo transmitidos a nós pelos desenhos.



Por Pluto ser uma história fechada em apenas 8 volumes o Urasawa teve que pensar em casa detalhe do mundo e sua importância para os personagens. É um mundo bem construído, um retrô atualizado. Ele é tecnologicamente muito avançado com uma estética as vezes um pouco ultrapassada de engrenagens. E naturalmente, é um suspense policial, com uma intrincada rede de relações e motivações movendo a todos na história. E em Pluto o protagonista não é o Astro Boy, ao invés dele o protagonista é o robô alemão Gerhardt (renomeado para Gesicht), um detetive que investiga o autor dos misteriosos assassinatos dos maiores robôs do mundo.

Por essa mudança de perspectiva, afinal o Gesicht original foi morto prematuramente no original, é complicado e arbitrário comparar diretamente as duas obras irmãs. O Maior Robô do Mundo é um simples shounen de ação, Pluto é um thriller policial. O certo é que os dois são excelentes em sua proposta. Ao invés de comparar exatamente o que eles tem de diferente ou semelhante, acho melhor comparar seus significados.

Por ser um suspense policial em um clássico clima noir com ecos de Blade Runner, Pluto parece naturalmente amargo. Enquanto que O Maior Robô do Mundo tem pequenos questionamentos sobre as necessidades dos robôs, sua liberdade e relação com os humanos, Pluto já refletiu sobre essas questões e tirou suas conclusões.

Os robôs do Tezuka em Astro Boy são uma mistura estranha entre robôs inteligentes tradicionais que obedecem as leis da robótica ditadas pelo Asimov, de modo que eles não podem ferir humanos, dotados de sentimentos como a empatia e o remorso. Todos os robôs são bons, eles DEVEM ser bons. Por falta desses "sentimentos" em sua programação o Pluto é visto como um estranho. Quase toda a reflexão dessa história do Tezuka sobre os robôs se resume a isso.
Em Pluto Naoki Urasawa vai muito além.

Os robô não tem sentimentos, eles apenas fingem ter.
Eles não sentem, eles mimetizam

Em Pluto vemos interessantes discussões e debates sobre todas as questões que dizem respeito a esse assunto. Gesicht fica espantado, se é que ele é capaz realmente disso, em ver como o Astro é convincente em imitar um humano e se diz capaz de sentir prazer. Muito além disso, através de seus personagens humanos e robôs vemos ser explorado a capacidade de um robô de desenvolver sentimentos verdadeiros que nos remete a "Ciborgues Sonham com Ovelhas Elétricas?". Para isso Urasawa adiciona personagens muito bem vindos como um robô assassino que descobriu o que é o ódio.

E enquanto que o mundo de O Maior Robô do Mundo parece indiferente enquanto que maravilhado pelos robôs, o mundo de Pluto do Urasawa parece compadecido com eles, oferecendo vários benefícios e mimos como se tentasse aliviar algum peso da consciência, arrependidos de terem criados os robôs da forma tão "humana" mas sem forças para abrir mão deles, ou coragem para se livrar deles, e por necessidade de eles existirem para sofrer por eles - pelos humanos.

É eletrificante que ao mesmo tempo que vemos ser discutido a capacidade de um robô amar e odiar, vemos as consequências de os humanos serem capazes de amar e odiar sem limites objetos a rigor sem vida.


E quanto ao Astro Boy em Pluto, o robô menino que quer ser humano?

O Astro por mais que ceda espaço para os outros robôs brilharem, e todos eles brilham na responsabilidade do Urasawa, parece mesmo ser deixado um pouco de lado. Mas se ele fica de lado não é por os outros ocuparem seu espaço, é por opção.
Em Pluto vemos o Astro além de apenas lutar. Ao invés de contribuir para investigação e cidade com socos e tiros nos caras maus, ele ajuda as forças policias como uma máquina forense. Ele contribui com seus sensores avançados e capacidade analítica. Essa diferença entre as duas histórias não é apenas uma questão de oportunidade de mostrar ele fazendo isso porque é a maior participação que o Astro quer ter nesse conflito. Ao invés de buscar ser mais forte para ir acabar com o Pluto ele usa todas as forças que tem para se recusar a lutar, e faz isso sem que seu pai lhe diga, é por vontade própria que ele toma essa decisão.
Ao invés de lutar ele prefere ir para a escola, passeia com outras crianças, come lanches gostosos, para para observar insetos... fazendo isso estaria ele apenas imitando uma criança como pinóquio? Em parte sim, em parte não.



 Pluto é como um adulto refletindo sobre as fantasias da infância
e sobre suas atitudes passadas, impensadas, irresponsáveis.


O Astro Boy do Urasawa é uma história adulta, em todos os sentidos, não apenas por ser direcionado para um público mais velho. Sua mentalidade não é a de uma criança. O Astro de Pluto não é um menininho querendo ser forte. Força é bom, mas nem sempre, ela não resolve tudo. O Astro de Pluto é um menino que aprendeu que o poder tem vários significados e que existem vários tipos de força, não apenas a força bruta. Em Pluto nós vemos o menino Astro Boy se tornar um homem.

Isso não faz dele ser melhor do que o original do Tezuka, são outros tempos, apenas isso.

O original do Tezuka faz parte da infância dos mangás, e não há vergonha nenhuma em ser reconhecido como infantil. O Astro homem de Pluto olha para o Astro menino não com olhar de reprovação ou escárnio, é um olhar de nostalgia, de um tempo que passou e que não volta mais, quando ele era feliz apenas por sonhar em vencer o cara mais forte na porrada, quando ele podia lutar de forma irresponsável sem se preocupar com consequências ou sobre o que era possível e seus limites. Isso acontece porque os dois não são personagens diferentes, não são interpretações diferentes, os dois Astro o do Tezuka e o do Urasawa são o mesmo.
Urasawa não nega de forma nenhuma o original, ele não se vangloria de poder fazer melhor, porque sua história só existe pelo original ter existido. No final de O Maior Robô do Mundo o Astro reflete em tudo que aconteceu e em todas as perdas que aquela batalha sem sentido causou e percebe que a violência não foi solução, ela só piorou o problema e que mesmo ele tendo ficado mais forte, muito mais forte que o Pluto ou qualquer outro robô, ele considera que o verdadeiro herói da história no final foi o Pluto.
A lição que Pluto lhe deu foi muito mais valiosa e poderosa do que qualquer melhoria que seu criador Doutor Tenma possa fazer em seu corpo cibernético. Esse é o Astro que vemos em Pluto, é como se lêssemos uma continuação cíclica da história.
 Ao mesmo tempo, no final de Pluto o Astro reflete sobre a conclusão de toda aquela história e percebe que negar agir quando ele DEVE agir também é errado - como Episilon entende amargamente ao por sentir tanto terror de lutar. Existem casos extremos em que a violência e sua própria destruição é a única solução que resta para as pessoas como no caso do Sultão que não quer com Pluto recuperar sua vaidade. Em Pluto do Urasawa ele é mais sincero com seus sentimentos e objetivos querendo apenas que através da destruição do orgulho nacional dos países que destruíram o seu amado pais todos morram e sofram ao máximo. É tudo que lhe restou, puro ódio.
Astro entende que o importante é se manter equilibrado para não se perder em nenhuma das duas formas.







Não por acaso as cenas de Astro sendo (criado e) melhorado nos remetem a Frankenstein.
Está sendo de fato criado um monstro.
Nem robô, nem humano.





Se tivermos isso em mente perceberemos que toda a história complexa montada em detalhes pelo Urasawa é apenas uma consequência do original. A moral da história de O Maior Robô do Mundo é o que moldou completamente a concepção do Pluto de Urasawa.
A resposta para a pergunta de se ainda vale a pena ler obras tão antigas é sim.

Por "piores" que elas sejam, suas posteriores só se tornaram possíveis graças as lições deixadas por elas. O Maior Robô do Mundo e Pluto são um grande exemplo disso, a segunda é consequência da primeira e graças a primeira a segunda ganha relevância.

E eu não poderia deixar de mencionar.
Os mestres de hoje só podem ser comparados com os mestres de ontem por eles terem existido e possibilitado o desafio de serem superados. Naoki Urasawa aprendeu a desenhar aos 5 anos enquanto se divertia copiando desenhos do Tezuka e definiu sua meta como mangaká no ginasial ao se deparar com Hi no Tori. O objetivo profissional dele é "criar um mangá como aquele, sobre pessoas lutando contra sua estupidez e sujeira, que extraia a essência humana". Será que ele conseguiu?




Quem se interessar pelos dois mangás pode comprá-los, em inglês, na edição da DarkHorse no caso de Astro Boy, e na edição da VIZ no caso de Pluto
Os dois links são do Book Depository, a loja que eu recomendo, já que é de lá que importo meus mangás.


E não deixe também de ler nesse Tezuka Day o texto do Chuva de Nanquim sobre Pluto para ter uma segunda opinião. 
Caso meu camarada Dih consiga resolver algumas coisas pessoas inda hoje, esse artigo do Tezuka Day pode ganhar uma segunda parte especial em dupla.


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9 comentários:

Jasque disse...

Astroboy teve sua importância, mas prefiro outras obras do Tezuka.

Já sobre Pluto estou de olho nesse mangá a um tempo, pra começar a ler. Meu professor de desenho havia me recomendado.

Acho que vou começar a importar.

Depois comento melhor quando ler com mais calma.

Faber disse...

Adorei o post, as comparações entre os dois trabalhos são inevitáveis! Muito boa a crítica ^^

--------M-------- disse...

Post bom. Panino subiu no meu conceito.
Sem papas na língua, usou a sua "incoveniência"(não sei outra coisa para descrever) muito bem, expondo a sua opinião que me fez refletir em diversos aspectos sobre as duas obras.

Algum dia tu poderia nos presentar com uma review de Pluto né?

Ikari387 disse...

Excelente, Panino!

Este foi o primeiro post do TezukaDay que li e posso dizer que me senti lendo "Astro Boy" e Pluto, conforme ia avançando no seu texto!

Anônimo disse...

Hello!

O que seria melhor: O novo ou o velho?O original ou a cópia?O futuro ou o presente..?
Tezuka por esta perspectiva é um "Sensei" com lições sempre valiosas que levaram às novas gerações 'a superá-lo' como nos Shounes que invariavelmente surgem.
Acabou se tornando um post nostálgico de comparação de momentos históricos,nem pior ou melhor,só adequados : a sua própria era,a significância de cada momento e uma história de origens.

lnisishima disse...

aa

Gabriel disse...

Texto Excelente!
Pluto é isso mesmo. Ainda não li O Maior Robô do Mundo. Mas quando eu li Pluto, eu pirei. =D
Definitivamente aquilo foi muito além da estética noir que se esperava. 
Ler Pluto foi como ver Blade Runner, por mais diferentes que o enredo e as personagens das duas obras sejam, ambas inseminam a reflexão na sua mente. Você termina de ler e diz "P*** que pariu! Como uma história desse tipo, nesse cenário de investigação noir, numa estética que teoricamente já deu o que tinha que dar, pode ser tão Fod*?"

E o pior disso tudo é que diferente de Blade Runner(pra mim o melhor filme de ficção científica de todos os tempos), Pluto nem chega a ser o meu mangá favorito escrito pelo Urasawa. 
O cara é tão mítico, que Monster, 20th CB e Billy Bat(pelo menos por enquanto) superam Pluto na minha ótica. 

Naoki Urasawa é o Isaac Asimov dos mangás, melhor autor ever!

Gabriel Gomes disse...

Texto Excelente!
Pluto é isso mesmo. Ainda não li O Maior Robô do Mundo. Mas quando eu li Pluto, eu pirei. =D
Definitivamente aquilo foi muito além da estética noir que se esperava. 
Ler Pluto foi como ver Blade Runner, por mais diferentes que o enredo e as personagens das duas obras sejam, ambas inseminam a reflexão na sua mente. Você termina de ler e diz "P*** que pariu! Como uma história desse tipo, nesse cenário de investigação noir, numa estética que teoricamente já deu o que tinha que dar, pode ser tão Fod*?"

E o pior disso tudo é que diferente de Blade Runner(pra mim o melhor filme de ficção científica de todos os tempos), Pluto nem chega a ser o meu mangá favorito escrito pelo Urasawa. 
O cara é tão mítico, que Monster, 20th CB e Billy Bat(pelo menos por enquanto) superam Pluto na minha ótica. 

Naoki Urasawa é o Isaac Asimov dos mangás, melhor autor ever!

Panino Manino disse...

Só para você saber, o Urasawa sempre faz dois mangás em paralelo, na época ele fazia ao mesmo tempo Pluto e 20th, com um detalhe: estava encerrando 20th, na época em que o Gesicht estava desparafusando em Pluto e teve um colapso.
De tanto desenhar por tanto tempo ele teve que parar para se tratar por causa de dores, estava com o corpo todo ferrado e dolorido. Ele fez uma terapia com massagem intensa para  voltar a desenhar o mais rápido possível e lendo você nem percebe nenhuma variação de qualidade nem na história nem no traço de nenhum dos dois mangás.

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