
Normalmente cada nova temporada é naturalmente limitada para os padrões dos meus gostos pessoais.
Por exemplo, não consigo mais aturar ecchi, de forma que automaticamente 1/3 das séries já é desconsiderada. Outras muito "otakus" também. No final, se estreiam 20 séries, eu considero umas 6 para escolher qual assistir, as outras, só com recomendação.
Cada um tem seus critérios para escolher o que assistir das novas temporadas. Para alguns, a birra é com o Moe. Realmente pode ser algo irritante, e cheio de segundas intenções, como pode exemplo eu questionei em Madoka Magica, mas, o mundo não é tão sacaninha assim, ainda existe inocência e pureza no Moe. Consciente disso eu peguei para assistir uma série extremamente boba e fofa, Ikoku Meiro no Croisèe. E quer saber, vida longa ao Moe!
Mas não vamos nos apressar.
Ikoku Meiro no Croisèe é um slice leve sobre uma menina japonesa que vai morar na Paris do final do século 19 como acompanhante. Uma espécie de gueixa mirim.
Ela é trazida por Oscar, um velho ferreiro aposentado que estava à turismo no Japão, na época, uma moda excêntrica devido a abertura de seus portos. Oscar possui uma loja de ferragens, agora gerida por seu neto Claude. São as interações entre Claude e a pequena Yune que movem a história. E essas interações são cheias de choques culturais, o que é o destaque da série.
O anime deverá seguir esse dia a dia da Yune, trabalhando e se habitando a essa nova cultura, e eventualmente fazendo amigas, não tão fofas quanto ela infelizmente. Vale pela curiosidade cultural e histórica, mas esse aspecto é o bônus da história, não o seu destaque. O principal em Ikoku Meiro no Croisèe é contemplar a Yune, não atoa referida várias vezes como uma boneca.
E "contemplar a Yune" é motivo suficiente para assistir?
Eu digo que sim.
Mesmo sendo Moe?
Principalmente por ser Moe.
Na minha opinião, o Moe não é algo ruim, é apenas mais um elemento mal utilizado, muitas vezes de forma maliciosa e que por isso ficou com má fama. Porém, nem todos os casos de Moe são ruins, por exemplo a série Aria. Aquilo não é Moe? Mas não é malicioso, é extremamente puro, e eu aprecio muito isso. E é justamente esse o motivo de eu ter gostado de Ikoku Meiro no Croisèe, ele é puro.
O que me leva a outra estreia da temporada, Usagi Drop.
Nesta série, um solteirão pega para criar uma menininha de 6 anos. O horror? Muito pelo contrário, uma excelente história.
Neste caso, Rin é filha bastarda do recém falecido avô de Daikichi, solteiro de 30 anos, o que faz dela sua tia.
Daikichi é um cara normal, mas por ser muito fechado e na dele, acabou nessa situação de ainda não ter constituído família. Após o enterro, seus familiares discutem o que fazer com a pequena Rin, já que ninguém faz ideia de onde está a mãe, e principalmente, ninguém quer "fazer" por ela. Todos são adultos, de família formada ou criada, e não querem ter, e voltar a ter, mais essa responsabilidade.
Daikichi que observa tudo, incluindo a Rin como ninguém mais faz, resolve ficar com ela.
Aqui há um motivo para a criança, e não a loli, morar com um homem adulto, e um motivo nobre.
Entretanto, a série se passa no mundo real com problemas reais, e é sobre disso que a série trata, sobre criar e educar uma criança.
Daikichi tem a vantagem de não ter que passar pelos inconvenientes da maternidade, mas ele é um pai de primeira viagem, totalmente de gaiato na história, e não sabe o que fazer. É todo esse clima de descoberta do mundo e adaptação que tornam Usagi Drop e Ikoku Meiro tão atrativos, o primeiro pelos fins práticos, e o segundo por diversão.
A joia rara das séries são as descobertas, e não as calcinhas das personagens.
Quem conduz essa viagem de descobertas são essas pequenas, tão parecidas em sua inocência e tão diferentes em sua educação.
A Yune, pela cultura de sua terra e época, é desde cedo educada para ser uma adulta. O conceito de infância é novo na sociedade moderna, não é por pouco que o Direitos da Criança da Unesco foram tão revolucionárias, pois nunca antes existiu algo semelhante de forma tão universalmente oficial.
Voltando a Yune, ela apesar de pequena não se comporta como uma criança, ela se comporta para ser polida e educada. Não por ser esse o jeito dela, mas por ter aprendido assim. A relação dela com Claude é de mestre e serva, por vontade própria. Suas descobertas na Paris vitoriana são em parte a descoberta da própria infância, ao ser incentivada a ter vontade própria e se divertir.
Do outro lado, a Rin é uma criança que se comporta como criança, apesar de sua triste quietude solitária.
Vivendo no mesmo teto que seu sobrinho Daikichi ela deverá aprender a como crescer como alguém responsável e independente, de acordo com sua educação escolar, na convivência com os amigos, e pelo exemplo de seu agora pai adotivo. Pai este, que ao mesmo tempo em que a Rin descobre como funciona o mundo dos adultos, o mundo em si, ele redescobre o mundo das crianças, algo concreto e complexão e não vago como muitos pensam.
Séries que proporcionam relaxamento e catarse não são certamente nenhuma novidade para ninguém, mas essas duas séries em especial tem um contexto único que contam muito a favor delas, como um produto de entretenimento saudável.
Ambas as séries vieram de mangás.
Infelizmente no caso de Ikoku Meiro no Croisèe, as traduções são limitadas, mas pelo pouco disponível é possível perceber um roteiro bem trabalhado e adaptado em cima do original. Já Usagi Drop é mais acessível, e quem leu sabe que não há o que temer, principalmente depois de ler a entrevista que o roteirista deu para o ANN e assistir ao memorável primeiro episódio.

Eu acho que a existência dessas séries é um indício de que o Moe não precisa nem deve morrer.
Ele foi só um "algo" injustiçado por causa da ganancia de algumas produtoras em lucrar com presas fáceis, e que nas mãos certas pode nos proporcional ótimos e saudáveis animes. Por mais que alguns maliciosos irão surtar em algumas cenas de Usagi Drop, por exemplo, mas aí, já é malícia de quem assiste, e não algo que já vem com a série.
Usagi Drop tem seu tópico oficial no fórum do Subete e Mina Suki AQUI.
E também, Ikoku Meiro no Croisée AQUI
17 comentários:
Não tenho nada contra o moe, mas não me agrada ver personagens de 14/16 anos com cara de 8/10 (e com cabeças maiores que o corpo), bem como, no caso do traço mais "tradicional", não me agrada ver personagens de 14 anos com cara de 18. Soa tudo muito artificial.
Tudo bem, há casos em que o moe se faz nescessário (como é o caso de Madoka, por exemplo), mas acho que ele deveria ser utilizado da forma mais moderada possível.
A propósito, você disse que não há o que temer no mangá de Usagi Drop, isso quer dizer que os boatos sobre o "final controverso" são falsos?
O Moe que você citou eu acho ruim sim e dispensável para qualquer um, só para quem quer ver safadeza mesmo.
Não é o caso desses dois citados aqui, Usagi Drop de certeza.
Sobre o final "controverso", muito cuidado com isso.
Não posso falar nem isso nem aquilo do porque, mas, não é tão controverso assim não, mas também não posso dizer porquê...
Não é nada demais, apenas assiste para ver por si mesmo.
Tive que ler duas vezes para acreditar que era realmente uma crítica positiva e não foi por duvidar da qualidade do anime.
LOL
Pensou que eu ia criticar as séries por causa do Moe no título "Wehr"?
Esse outro que foi comentado eu ainda não vi, mas Usagi Drop vi e gostei muito do primeiro episodio.
Assim como vc Panino, no começo de cada temporada eu já descarto de cara boa parte dos "ecchi" não que eu não goste do estilo, mas a grande maioria não tem nada a oferecer além de peitos e calcinhas...
Dessa temporada atual dos que já assisti gostei de Usagi Drop e o Mawaru Penguindrum! koku Meiro no Croisèe ainda não vi, mas vou dar uma conferida depios.
Baixei o segundo episódio de Ikoku Meiro no Croisèe e vou assistir mais tarde.
Já vi comentários de que a coroa Moe da temporada é da Yune, mas vai ser uma batalha dura contra a Rin e o "The World is Moeful" de Mawaru Penguindrum.
Estou baixando Ikoku Meiro no Croisée nesse exato momento. vários sites estão falando muito bem do anime então vou ver com certa espectaviva.
Vou aproveitar e baixar logo o 2 neh... dp comento aqui.
Nossa, só hoje que fui notar esse artigo aqui no Subete. Então, eu acredito que o problema não são as produtoras e artistas quererem lucrar em cima do moe, afinal, o mundo é capitalista. O problema está nas pessoas. Nesse caso é executado somente a lei da oferta e procura. Eles fazem, pois sabem que há publico pra isso.
E não estou defendendo essa banalização do moe, mas é um fato né.
O tipo de moe defendido pelo Panina é o melhor que há e que te permite saborear a história e toda fofura das personagens, sem que essa fofura se torne um empecilho para o enredo. Apesar de fazer beicinho pra alguns séries do genêro (obscuro do moe), ainda não sou tão selecionavel quanto você, Panina. Talvez com os anos eu me torne mais exigente e o pouco tempo faça com que eu selecione melhor o que assistir ^_^
Essa temporada tem moe pra chuchu
Roberta, é verdade que eles fazem aqueles coisas porque vende, mas também não é verdade que elas ao mesmo tempo deixam de vender? Por exemplo, eu não compraria.
Por outro lado, se for algo legal como essas duas séries, eu e mais um monte de gente que não suporta essa superexposição do moe comprariam com gosto.
Se eu puder dizer que falta alguma coisa nesse mercado ou algum erro, seria isso. O público que não é fanático otaku, que é a minoria responsável pela esmagadora maioria das vendas no Japão, também compra, e é comprador regular, podendo ser tão fiel quanto o fanático.
Seria bom mesmo para todos se investissem mais no bom e velho moe inocente, todos ficariam felizes e fariam dinheiro.
Esses comentários sobre o futuro de Usagi Drop estão me deixando com muita coceira, XD
Brincadeiras a parte, gostei muito do post panino (mudou o nome para não pensarem que é mulher?), a questão do moe cria um bloqueio em muitos fãs que em grande parte dos casos evitam certas séries que fazem bom uso dele, sem contar que isto acaba criando novas tendências que podem dividir radicalmente os fãs e até gerar conflitos.
Antigamente eu estava assim também Kico7.
Você pensa que está está ficando apenas seletivo, formando seu padrão de gostos, mas acaba só ficando preconceituoso.
O ideal é não ter preconceito do moe, apenas discriminar.
Porque discriminando, supõe que você sabe exatamente o que está se negando a ver e não vai deixar de assistir nada pensando que é algo que você não gosta.
Mas você é minoria, Panina, assim como as pessoas que não compram. Minoria num sentido comparativo, claro, pois otakus compram até mesmo duas, três vezes o mesmo material, caso os agrade. O movimento Superflat, é veio de dentro da industria é a prova de como as coisas chegaram á um extremo onde as empresas/indústria ficaram muito dependente de certa fatia do mercado. Sei lá, não entendo tão a fundo do assunto, mas pelo menos é a impressão que eu tenho vendo tudo de longe, acompanhando as noticias e matérias.
Um exemplo que eu gosto sempre de lembrar, é da entrevista do diretor de Aoi Hana, onde ele diz que fizeram um produção caprichada do anime, para o bloco noitamina já visando a segunda temporada. Maaaaas infelizmente as vendas não foram satisfátorias pra uma sequência e tiveram que cancelar o projeto. O anime era excelente, mas tal como Hourou Musuko, visualmente não atrai.
Claro, de que adianta fazer um Aoi Hana, Hourou Musuko, ou até mesmo Usagi Drop para serem exibidos até mesmo no Noitama que é no início de madrugada.
Público alvo de Usagi Drop, formado pela massa que realmente iria aproveitar o conteúdo ali, na hora que o anime exibido tem que estar na cama dormindo para o dia seguinte.
Essas pessoas poderiam comprar o anime? Até sim. Mas será que eles ao menos tem ciência de que tal série existe? Muito provavelmente poderão ficar sabendo do Live, mas não do anime.
Já um Mawaru que passa duas horas depois, bem no meio da madrugada, esse todos os otakus conhecem e estão comentando. Por que será?
Sobre pessoas comuns comprarem, elas compram sim.
Em todo lugar em consigo encontrar pessoas que compram regularmente entretenimento de massa, seja livro, filme, música ou seriado.
Essas pessoas fazem MUITA propaganda boca a boca.
E convenhamos, uma série muito otaku, eu nunca recomentaria para outra que não seja igualmente otaku. Já Usagi Drop, por exemplo, eu recomentaria até para meus avós.
Como eu sempre defendi, o problema não é a presença do moe, mas sim sua transformação em força motriz da série.
Não me incomodo nem com o moe malicioso se a malícia estiver ali para justificar um enredo bem amarrado. Lolita ou Anita não são lolis memoráveis da literatura?
Agora, série para masturbação otaku não me desce mesmo. Que exista pra quem goste, mas que não eclipse todo o resto. Um monte de fansub legendando cada porcaria, enquanto séries interessantes, dos clássicos aos títulos recentes, seguem às moscas.
Eu estava com medo de Usagi Drop (e ainda estou com medo de Ikoku Meiro no Croisèe) mas foi um trabalho ótimo, muito bem executado, tocante até.
Meu medo é dessa malícia de quem assiste, desse povo que aplica Complexo de Édipo qndo é conveniente -q
Porque as pessoas esquecem da própria infância?
Eu adorei este post e assisti Ikoku Meiro no Croisee.Não cheguei a ver Usagi Drop,talvez por que em primeiro momento o enredo não tenha me chamado a atenção,mas com toda certeza irei ve-lo agora,depois de toda essa propaganda positiva em torno dele.O estilo de moe abordado por animes como Ikoku Meiro,GOSICK e Dantalian (sim,Victorique e Dalian se utilizam tanto do moe saudavel,quanto do tsundere saudavel)é de fato precioso.Gosto da forma tão inocente e verdadeira que é passado atravez de personagens como Yune,Dalian,Victorique.Não é notado de forma nenhuma um aspecto sexual por trás das intenções de seus protagonistas do gênero masculino.Essa é a forma como o moe deveria ser tratado,algo ingenuamente infantil e não intencionalmente pervertido.Não concordo quando dizem que o moe tem que ser malicioso quando o enredo tem apontamentos pra isso.Quem aqui conseguiu assistir Kodomo no Jikan sem ficar chocado?Ou sem ter pelo menos uma intenção mesmo que pequena,pervertida com a Kokonoe?Eu gostei da forma como retratam os pais modernos que nunca estão ali para os filhos,no momento em que precisam e na idade em que mais necessitam,que de fato é verdade em nosso mundo real.Mas um professor do ensino fundamental se deixar ser levado por atitudes nada "infantis" por parte de Kokonoe,uma garotinha de 09 anos de idade e de fato achar "normal",eu achei pesado demais.Eu choquei na cena em que ela sentada no colo do professor começa a se movimentar e..não preciso dizer o que aconteceu e o que ele disse a ela.Esse tipo de moe que movimenta a industria de animação de hoje em dia é que deveria ser revista,por causa desse tipo de "encenação" é que "talvez" o aumento da pedofilia ou de desejos assim,estejam tão em evidencia hoje em dia.Kodomo no Jikan por um lado pode ser uma critica contra pais "ausentes",mas por outro lado a clara apologia a pedofilia é evidente na forma em que o moe é abordado.
Postar um comentário