
Grotesco? Inocente? Criativo? Perturbado?
Furuya Usamaru é uma incógnita.
Única certeza? Ele é muito bom.
Furuya Usamaru é um cara estranho.
Ele estudou escultura, mudou para dança e depois deu aulas de arte em um colégio.
?
Sua estreia como mangaká foi em 1994 com o mangá de comédia (sério mesmo?) de 4 painéis Palepoli.
Bi-Za-Ro.

Ele é um mangaká underground, muitos dos seus mangás são aquela coisa estranha que vem do subterrâneo. Claro, ser estranho é um detalhe apenas pois geralmente esses mangás são bons apesar de não serem para qualquer um.
Dentro do meio, ele construiu uma carreia de boa reputação com mangás como Garden, Donki Korin e Short Cuts, tanto que seu trabalho de estreia foi incluído na compilação Secret Comics of Japan sendo Palepoli a capa.
Para o público de massa, a fama veio em 2002 com o já clássico "Clube do Suicídio". Me lembro de ter lido esse mangá ainda em 2004, um dos primeiros que baixei. Talvez você já tenha ouvido falar dele ou de seu filme, com a famosa cena do suicídio coletivo de um grupo de garotas se jogando em frente a um trem. Gore de primeira qualidade.
Mas o mangá não é sobre gore, ele é uma daquelas histórias sobre pessoas que se envolvem com más companhias e maus entendidos.
Recomendo a leitura.

A partir daí, ele parece ter mudando um pouco seu estilo, fazendo histórias mais fáceis de serem lidas e que não fossem de um nicho tão extremo como as anteriores.
Dessa nova faze, uma de suas séries que acho mais interessantes é "A Música de Maria", em dois volumes, que ainda estou lendo e sobre o qual farei uma resenha a parte em breve. É verdade que este é anterior ao Clube do Suicídio, mas já é uma amostra de seus temas menos grotescos e mais fantásticos, e também em um ambiente mais mundano.
Mas isso aqui não é nenhuma biografia, é uma recomendação.
Para justificar minha recomendação de porquê você deve ler as histórias de Furuya Usamaru, farei uma pequena resenha de seu "Happinnes".

Happinness, publicado em 2006, possui apenas um volume e nove capítulos. Todos oneshot, curtas histórias variadas, desde mais realistas, a fantasiosas e trágicas. É um bom apanhado do estilo, arte e criatividade do Furuya.
1- Teased and Stepped On, What Blooms is a Passionate Flower
"Farei tudo que você quiser que eu faça."

Clássico relacionamento proibido entre aluna e professor. Na escola se fingem de estranhos, distantes, tem juntos uma vida paralela, que não consiste em muito mais que irem para um motel.
Moritani é o professor de literatura, que com suas aulas seduz involuntariamente sua aluna Kawamura.
Mesmo tomando cuidado, logo o relacionamento dos dois é descoberto e começam a cochichar pela escola. Moritani que além de tudo isso é caso sugere que eles não se encontrem mais, mas Kawamura faria tudo para não só continuar seu relacionamento, mas também ter o Moritani verdadeiramente só para ela.
2- Lolita #7
"Me desenhe muito. O suficiente para que nunca me esqueça."

Kyoko Mishima é uma universitária a pedido do diretor da universidade vai até a casa do professor Atsushi Ohgami para descobrir, afinal, o que aconteceu com ele, desde que ele não aparece a tempos. O motivo de pedir justamente a ela é que os dois são primos.
Seu primeiro é um solteirão fora de forma e aparentemente com seus problemas psicológicos. Kyoko pensa que ele não está indo a escola por causa de alunos que possam estar incomodando ele, mas o motivo é muito mais pessoal.
3- Song of the Devil
"Venha logo a mim, me Senhor Lúcifer"

Todos tem seus problemas pessoais.
Mika está enfrentando os dela, mas de uma forma que deixa sua amiga Tomoko preocupada. Ao invés de enfrentá-los, ela parece se esforçar para fugir deles, e é a forma como ela está fazendo isso que preocupa.
Tomoko conseguirá ajudar Mika antes que seu cavaleiro Lúcifer venha tomá-la?
4- What if?
"Por mim tudo bem, é divertido".

Duas amigas se provocam no trem passando o tempo com uma brincadeira inocente.
5- Happiness
"Ei, quer saltar comigo?"

Nabe é um estudante ginasial passando por maus bocados. Ele está sendo judiado e extorquido por colegas de escola.
Mas para ele a situação é ainda pior, pois é seu melhor amigo quem se tornou seu nêmesis. Para ficar ainda mais miserável, ela é manipulado a roubar dinheiro dos próprios pais e se vê culpado e sem saída.
De repente, uma menina miserável como ele se aproxima e diz que eles são semelhantes. Ele também é "deste lado".
6 e 7- A Room of Clouds
"Agora mesmo, estou cavalgando nas nuvens".

Yuno é uma colegial estúpida, muito estúpida.
Ela sabe disso, todos sabem disso.
Ela sabe que é culpa dela, ela sabe que todos sabem que a culpa é dela.
Yuno gosta de nuvens, e encontra um em apartamento barato onde ela pode morar entre as nuvens. E então, sai de casa.
8- Indigo Elegy
"Ae cara, qual tipo de cenário você viu agora?"

Iku e Shingo são dois amigos de escola, bem ordinários. Iku é um destacado pintor do clube de artes, muito habilidoso e talentoso, e Shingo é um fanfarrão boboca. Um dia algo inesperado acontece para Iku, Kaho, a musa dos dois a quem Iku frequentemente pinta quadros, descobre isso e se declara apaixonada por ele. Mas... não é exatamente Iku quem ela ama, e os dois amigos compartilham segredo escuso.
9- Underground Doll
"Tenho uma utilidade agora".

Harumaki é uma idol de quinta categoria, ou seria sexta?
Ela e seus fãs repensam sua carreia.
Happiness dá um bom apanhado básico do Furuya "para frescos".
Realmente, não vou recomendar nada mais "estranho" dele. Quem quiser que vá atrás.
Ao invés deles, recomendo ler suas histórias posteriores a 2004, são mais leves mas nem por isso inferiores, como Shounen Shoujo Hyouryuuki, uma espécie de Happiness 2.0 metafórico. Dessa leva, atualmente sua série mais famosa é Kanojo wo Mamoru 51 no Houhou, o famoso mangá do terremoto.

Essa série foi publicada de 2006 a 2007 tento 5 volumes, e é bom lembrar que ela é anterior a Tokyo Magnitude, que compartilha o mesmo tema de um grande terremoto em Tóquio. Sobre esse segundo, fiquei um bocado decepcionado com a execução, mas com 51 no Houhou tive as expectativas superadas.
A série retrata o temido grande terremoto na região de Tóquio e o caos que se segure. Ele se concentra nas dificuldades pelas quais as pessoas passariam naquela situação, acompanhando uma dupla, e posteriormente trio. E ao contrário de Tokyo Magnitude que é totalmente otimista e mostra tudo pelo lado bom e colorido, 51 no Houhou prefere não esconder nada e mostrar bem tudo de ruim que pode acontecer naquela situação.
Por vezes chocante, a série pode até ser considerada de alguma forma didática, pela variedade de situações abordadas sendo até um pouco didática. Se você tivesse que escolher uma história que saber de dicas úteis que possam ajudar a sobreviver naquela situação, caso escolhesse Tokyo Magnitude você não sobreviveria nem um dia!

E não apenas os perigos naturais são abordados, é muito bem lembrado que o maior perigo para os humanos são os próprios humanos.
Se nas outras histórias do Furuya já vemos pessoas má intencionadas e se aproveitando das circunstâncias, imagine só do que as pessoas são capazes de fazer em uma situação limite. Talvez por isso, suas histórias mais normais ainda sejam consideradas grotescas e chocantes por alguns, mas vai por mim, não é nada demais. Furuya é um intermediário entre o Daisuke Igarashi e o próximo autor que vou apresentar em termos de fazer você se sentir bem e fazer você se sentir péssimo.
51 no Houhou é um mangá muito recomendado para você ler, assim como as outras criações dele. Apenas estão fazendo questão de avisar o que você pode encontrar.
Junto com este, em foco atualmente no ocidente estão suas séries Genkaku Picasso publicado pela Viz Media, a adaptação do livro clássico de Dazai Osamu, No Longer Human, e o novo The Lychee Light Club, estes último publicados pela Vertical, inc.

Saindo um pouco da questão da história e conteúdo, sua arte.
Seu traço não varia, ele evolui.
É um traço simples e limpo, caprichado na medida do possível. Acompanhando suas séries você verá ele evoluindo com o tempo. Na época de Happinnes ele já está bem maduro e limpo, e em 51 no Houhou ele fica visivelmente mais caprichado. Nesse caso é bastante bonito. Ah, ele também desenha cenários. Ponto para ele.
Ele também costuma variar um pouco seu traço, nesse mais simples e em uma variação dele um pouco mais pesado e de alguma forma menos "realista", como é o presente em "The Music of Marie", até para se adaptar ao ambiente da história.
Já seu brilho, sem dúvida é sua invencionice. Nos seus primeiros trabalhos ele experimenta MUITO, e toda sua criatividade sempre encontra lugar para se mostrar em suas histórias mais recentes e "pé no chão". O cara manja muito! É um grande atrativo ler suas histórias por isso, tem cada loucura! Infelizmente algumas não são para os de coração fraco!
O que mais um posso falar?
Quer saber mais?
Corra atrás e descobra sozinho.
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