Vamos admitir que as aberturas são um dos vários charmes ao se assistir a um anime. Apesar de muita repetição - mesmo em boas aberturas como AQUI... ou nem tanto [AQUI], desde sempre esses noventa [ou quarenta e cinco, ou mesmo cento e cinquenta] segundos são considerados especiais. E várias vezes com razão.
Então, em uma série de artigos [sem nenhum plano inicial predefinido, para falar a verdade] vamos pincelar alguns destes grandes da animação japonesa. E como não começar com os anos 80, onde já havia orçamento suficiente para não apelar para 20 segundos finais somente com a nave de Yamato indo embora.
E outra pessoa já emendaria: "Como falar dos anos 80 sem falar de Cavaleiros, Shurato ou mesmo Jaspion?". Oras, só falando de outras obras também inesquecíveis que não passaram no Brasil. Ou Gundam só não passou aqui porque não era tão bom quanto Cavaleiros do Zodíaco? C'mon...
Vamos a elas:
Nakahara Meiko, Russian Roulette - Dirty Pair [TV]
Um clássico do girls with guns [garotas armadas], a abertura desde anime de 24+2 episódios, animado pela Sunrise em 1985, mostra bem a mistura de ação e comédia característica da série. Não é uma das aberturas que melhor envelheceu, mas é divertida sem evocar a "tosquice" associada a obras mais famosas no Brasil. E o traço [do mesmo criador de Gundam] é de babar, em uma mistura de sexy com o tom cartunesco do anime da época [traço esse comprovado por qualquer obra da Rumiko Takahashi].
Yuko Nitou, Sono Mama no Kimi de Ite - Kidou Keisatsu Patlabor
Patlabor é, nos anos 80, um representante daqueles animes feitos para fazer muito sucesso entre os fãs mais radiciais [otakus] mas que também cativa o mainstream com sua visão "pés no chão" de um mundo em que os mechas seriam utilizados como parte da polícia. Então faz sentido uma abertura [que economiza uns trocos porque não precisa enganar ninguém com animação de primeira somente na abertura] focada nos personagens [é um dos raros animes em que os dublados dos personagens são destacados na introdução], sem um tiro disparado pelo Alphonse e com essa deliciosa música depressiva. Parada? Talvez. Mas diferente. E este é o charme.
Noriko Sakai, Active Heart - Top wo Nerae! ou Gunbuster
Outra abertura conhecida por não gastar muito é esta de Top wo Nerae! ou Gunbuster [aliás, diversas cenas são reutilizadas nos OVAs]. Com feeling ainda mais estranho que a do anime anterior [mesmo com a música menos depressiva], é até melhor para cumprir a missão de apresentar os personagens e o clima sci-fi levado a sério ["hard", como alguns diriam] que caracteriza a série.
E como esperado de um anime dirigido por Hideaki Anno, as cenas são eficientes sem serem forçadas ao estarem muito presas a um cânon. Lembrando também que Gunbuster é uma série que sempre será recomendada aqui no Subete Animes, e que precisa de um longo review a respeito.
Masanori Ikeda, Night of Summer Side - Kimagure Orange Road, 1a Abertura
Apesar de talvez não recomendada a quem possui epilepsia, essa abertura de KOR mostra que apesar de ser uma comédia romântica passada em uma escola japonesa [o suprasumo do clichê, que cresceu em escala exponencial após o advento do gênero harém e animes mais focados em otaku como Love Hina e derivados] tem um desejo de ser cool.
Os cortes rápidos potencializam a rotina dos protagonistas mostrada na abertura, e a música sugere um clima disco - o que algumas cenas na abertura só potencializam. Alguém pode até ter ficado surpreso, dado a caretice que [infelizmente] é a norma hoje. E é uma prova que desde sempre o Studio Pierrot, famoso principalmente aqui por Naruto e Bleach, é craque e em aberturas desde sempre.
Tom Cat, Tough Boy - Hokuto no Ken 2
Nada mais anos 80 do que esta segunda abertura de Hokuto no Ken. Até que ela se leva a sério, mas o clima é exagerado demais para pensar que foi simplesmente o envelhecimento que causa esta impressão. Os característicos ombreiras e mullets do vestuário mesclam-se com o clima pós-apocalíptico da série [que se passa em 199x, ao contrário do manga, que cita a catástrofe nuclear ocorrida em 2010] e os personagens cada vez mais sérios e bombados [o ruivo Bart é exemplo óbvio disso], sendo que a música “Tough Boy” [Garoto durão] pode não ser tão famosa como “Ai wo Torimodose” [Devolva o amor], a primeira abertura conhecida pelo refrão “You wa Shock” [Você está em choque], mas é igualmente icônica – e sendo complementar as imagens, que é o mais importante.
Vale citar os versos finais [Estamos vivendo/Vivendo nos noventa/Ainda lutamos/Lutando nos noventa], que ironicamente são mais efetivos para mostrar a situação patética que certa fatia do fandom vive, como se a animação japonesa tivesse parado em AKIRA, Cavaleiros do Zodíaco e Sailor Moon. Relembrar é muito bonito, mas as próximas edições deste quadro tratarão de lembrar que o mundo dos animes existe antes e depois da “Geração Manchete”.
5 comentários:
Sem Lum e Hibari-kun, sem credibilidade.
Precisa de uns 10 artigos até riscar tudo o que vão lembrar.
A verdade é que não tem de City Hunter a Zillion.
Eu adoro girls with guns e já pus Dirty Pair na lista de animes. Gosto bastante desse tipo de traço.
Patlabor eu já tinha ouvido falar, mas nunca me interessou. Essa OP me lembra abertura de tokus das antigas huahuahuaahuuhahua (meu pai é viciado).
Gunbuster inovando nos fanservice já na abertura. Brincando...
Kimagure Orange Road parece ser interessante, o traço me lembrou o da Rumiko Takahashi. A abertura é muito legal, bem estilo anos 80 mesmo.
Ah....Hokuto no Ken, esse eu conheço bem mas nunca assisti.
Seu rascunho me confundiu.
Então, será uma nova categoria.
No aguardo das próximas.
Haha. Acho engraçado, e curioso, ver coisas "antigas". Fico pensando em como elas mudam em tão pouco tempo.
E como os animes mudaram. Os traços, a tecnologia e principalmente os estilos. Não havia reparado em como a moda está presente nos animes até ver esse bando de personagens com cabelo "estufadão", que eu não sei o nome mas, que é bem anos 80. Muito bom.
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